
Primeiro, quero deixar registrado que tem muitas coisas no governo Lula q me entristecem. "Bem vinda ao clube", dirá o meu leitor. Nada de novo. Mas hoje o Governo me deixou orgulhosa. Muito orgulhosa.
A gente sabe que a AIDS é uma epidemia mundial. Mas não pensa muito em como isso afeta o
indivíduo.
Ter o HIV não significa estar doente. Depois encarar o primeiro momento, de se descobrir portador, a pessoa passa por um processo de adaptação muito cruel. Mas essa fase passa e então o/a infectado/a consegue viver normalmente - pode inclusive ser mãe. Por isso que a gente fala em infectado ou portador, não em aidético.
Mas o HIV é traiçoeiro. Ele evolui, vai vencendo os medicamentos aos poucos. Aí, conforme o vírus avança, a infecção vai se tornando
realmente em doença, em AIDS... começam a aparecer as doenças oportunistas, diminui a capacidade de trabalho do doente, o seu convívio social, e a pessoa sabe que está chegando perto da morte. Isso, pra mim, é o mais cruel da AIDS.
O único jeito de retardar ao máximo essa mutação é administrando drogas que atuem em vários ciclos da vida do HIV, tentando impedir de todos os lados que ele evolua e daí desequilibre a capacidade de defesa do infectado. É por isso que HIV positivo não toma remédio, toma coquetel. Desse coquetel, um dos mais importantes é o efivarenz. Se o coquetel for um bolo, o efivarenz é o açucar.
Ora, tem
muita gente com o HIV. O relatório de 2004 falava em 34.600.000 pessoas infectadas no mundo.
34.600.000 pessoas que, se já não são, serão absolutamente dependentes do efivarenz por 10, 12, 25 anos, diariamente. Li em um estudo que pelo menos 50% do valor de um medicamento é puro lucro pra empresa. Se o número é verdadeiro, não posso garantir, mais com certeza chega bem perto. Ou seja, é
muita, muita grana pro laboratório que o produz. O lobby é fortíssimo. E a política pra manter essa margem de lucro também.
Por isso eu me orgulho muito do nosso país hoje. O Governo conseguiu um acordo de licenciamento
compulsório junto à ONU; agora, em vez de pagar 1,54 dólares por comprimido de efivarenz, vamos pagar algo em torno de 0,44. Eu não sei se dá pra vcs entenderem o tamanho dessa vitória. Eles dobraram uma multinacional milionária em favor dos nossos doentes. Nenhum outro país jamais ousou desafiar esses caras. O Governo brasileiro não só os desafiou como os venceu, mais de uma vez. Não sei o que eles vão fazer com o dinheiro que vai ser economizado com isso.
Mas espero que, por causa dessa vitória, nunca mais falte efivarenz lá no posto do Tropical.